sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A fila


Um homem, um dia, decidiu que teria sua própria fila.

Nada de muito importante.

Queria apenas comprovar o quão forte é o poder atrativo de uma fila.

Acordou cedo, mais cedo que o costume. As lojas estavam fechadas àquela hora. Parou sem motivo aparente à frente de uma loja de eletrodomésticos. E ali ficou a fila. Sentiu sono e por pouco não dormiu de pé. Acordou e viu que a fila estava formada. Não era mais que vinte ou trinta pessoas, mas em tempo recorde e sem motivo aparente o que fazia desta fila uma fila, no mínimo, inusitada. Riu-se. Quase gargalhou. Estava provado, havia mesmo um magnetismo inexplicável que atraía as pessoas para a fila.

Passados alguns minutos – e a fila não parava de crescer – o homem fez um gesto encenado de descontentamento com a não abertura da loja. Olhou o relógio e quase que assustado fez uma careta de atrasado. Estava dado o signo: “Não posso mais esperar”. Saiu rindo, gargalhando, quase perdendo o fôlego da façanha que aprontara. Teve sua glória, podia falar orgulhoso para os amigos.

(...)

Recorte de jornal do dia seguinte:


Moral da história: Nunca brinque com mitos populares.

3 comentários:

F! disse...

EURI!

Tu tens talento pra essas coisas de viado (escrita). Muito bom! :D

ADO disse...

hUAHAUahuHAUhaUA

Eu lembro desse texto! XD

Claudia Jane Maydana disse...

Me lembrou Forrest Gump e sua corrida sem rumo pra lugar nenhum... um tempo depois, cansa da brincadeira, deixando vários followers estupefatos. Uma sacada em cima do behaviourismo, não é mesmo?
Recém dei com o teu blog... espero encontrar bastante coisa interessante pra "bisbilhotar" por aqui!